terça-feira, 3 de outubro de 2017

A arte na Zona Oeste existe e transcende as dificuldades

Os artistas de rua têm uma função muito importante na sociedade, eles quebram todas as barreiras físicas e imaginárias entre a arte e o público. Ao andar pelos centros dos bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro é possível perceber artistas de rua em apresentações de alta qualidade, como: contorcionismo, acrobacias, apresentações musicais, estátuas vivas e muito mais. Estes talentos costumam colorir os centros urbanos e bordar sorrisos nos rostos das pessoas.


O escritor e poeta, morador de Realengo, Bruno Black, fala um pouco de sua trajetória e explica que a vida do artista de rua não é fácil, mas produzir a arte tem o seu lado positivo. Bruno é autor de diversos livros e seu trabalho, de muita qualidade, está presente por todo Rio de Janeiro.

— Nos dias atuais ser artista não é fácil, seja de rua ou não. Ser poeta então é mais difícil ainda, no bom sentido. Mas, eu tenho um retorno muito saudável das pessoas e quando elas se aproximam de mim, eu pergunto: você gosta de poesia? Quando eles dizem não, aí que eu me sinto ainda mais empolgado a alimentá-las. Sou um artista urbano e passo a maior parte da minha vida na rua divulgando os meus livros, projetos e fazendo oficinas.
Um dos grandes produtores da cultura na Zona Oeste, Bruno Black cativa a todos com o seu jeito poético de ser
Para Oberdan Mendonça, idealizador do Espaço Cultural Viaduto de Realengo e participante do projeto “colocando poesia no mundo”, que leva a arte para alunos de escolas municipais, propagar a cultura no subúrbio é complexo, e é preciso uma atenção mais ampla por parte das autoridades em relação a esta região.

— É muito difícil desenvolver a cultura no subúrbio, porque o olhar para a Zona Oeste ainda é muito fechado, mesmo que exista todo um glamour e uma referência contextual na cidade, fica-se bastante complicado ter o reconhecimento do Município em relação ao suporte de projetos aqui no subúrbio. Temos algumas oportunidades através de editais onde é disponibilizado determinado valor simbólico para o desenvolvimento do trabalho. Os editais ajudam, contudo é necessário um pouco mais de atenção da própria pasta de cultura do Município — disse.
Oberdan Mendonça, criador do Espaço Cultural Viaduto de Realengo, que tem um papel muito importante no cenário artístico da região
A ocupação de espaços culturais é de vital importância para o desenvolvimento cultural e artístico de uma sociedade. Partindo desse pressuposto, existem muitos operadores culturais como Oberdan e Bruno que acreditam na Zona Oeste e trabalham para disseminar a arte para os moradores. Um exemplo de ocupação benéfica de um espaço público, é a feita pelos integrantes do Festival de Música e Cultura de Rua de Bangu, na Praça Guilherme da Silveira. 

— O FMCRB é uma multi expressão cultural e uma ocupação efetiva de espaço público, que propõe diversas linguagens da cultura de rua. Inicialmente, nossa ideia era preservar e mostrar o trabalho de artistas locais, mas como o projeto foi ganhando magnitude e existindo a necessidade do fortalecimento de redes entre produtores culturais, nós abrimos para outras regiões de dentro e fora do Município do Rio participarem. E além de toda questão cultural, também se preocupamos com a cidadã, fazendo a arrecadação de vestuários, livros, brinquedos, entre outras, para intervenção social feita na comunidade Morro do Sossego em Padre Miguel — esclarece Thiago Mathias, idealizador do Festival de Música e Cultura de Rua de Bangu.
Thiago Mathias, um dos fundadores do FMCRB, que ocupa efetivamente a famosa Praça Guilherme da Silveira em intervenções culturais
O Produtor Cultural e fundador da FLIZO (Festa Literária da Zona Oeste), Binho Cultura, fez uma análise em relação ao cenário artístico atual na ZO, também apontou o que pode ser feito para o desenvolvimento cultural da região ser dado em largos passos e destacou a importância da ocupação de espaços públicos.

— A ocupação cultural de um espaço público que esteja desativado e abandonado é fundamental. O Rio de Janeiro tem muitos espaços abandonados, em ruínas, e temos diversos grupos fechando as portas porque não têm um espaço para sediar seus projetos e muito menos recursos para pagar seus aluguéis. É preciso potencializar estes agentes culturais, estas pessoas que trabalham na base, ou seja, enxerga-las como empreendedores e vê seu potencial como economia criativa, assim elas serão respeitadas como profissionais da cultura. O trabalho artístico de qualidade já temos, o que precisamos é deixar de ser apenas um abre alas para protagonizar.
No microfone, Binho Cultura, pai da festa literária da ZO
Segundo a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, a Superintendência de Cultura e Território através dos Programas Território Cultural e Favela Criativa, investiu em 2017 mais de 100 mil reais na Zona Oeste a partir de 8 projetos dos editais Geração Cultura e Agenda Funk.

O fomento foi resultado da parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura, a Light e a Agência Nacional de Energia Elétrica através da Lei de Incentivo. O edital Geração Cultura é destinado a jovens entre 15 e 29 anos e possibilita as juventudes da região a expressão da criatividade nos mais diversos formatos e linguagens. Já o edital Agenda Funk é destinado a realização de bailes e criações artísticas no Funk, desta forma movimenta a cena da Zona Oeste e fortalece as redes funkeiras.

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